Sumido, sim. Morto... not yet. Mas se eu continuar nesse ritmo, very soon...
O trabalho tem me consumido tempo. Tempo que eu já não tinha, e que não estava mais disposto a dispender com isso. Eu não tenho mais fim de semana, noite, horário de almoço, de jantar, de assistir TV, de ler um livro, de passear... nada. A única coisa que eu faço, dia e noite, é trabalhar... e "descansar" pra me preparar pro dia seguinte.
Vejo pessoas da conta pra qual eu trabalho saindo, cansadas de tentar mudar o mundo. E então outras entram no lugar delas, mais nervosas, querendo mudar mais ainda o mundo, e pressionam mais, pedem mais resultados, mais horas trabalhadas, mais stress... e eu me pergunto pra quê. E espero que um dia essas pessoas vejam que dessa forma não vamos a lugar nenhum, e que eu estou tão ou mais comprometido com o que faço do que eles com o que fazem.
Minha mãe me pergunta sobre minha vida pessoal. Eu respondo "quê vida?". Ela me diz que eu não posso ficar assim, que eu tenho que procurar alguma coisa melhor pra mim. Meu pai me diz que eu tenho que procurar alguma coisa melhor pra mim. Minha madrasta me diz que eu tenho que procurar alguma coisa melhor pra mim. Meu irmão comenta... meus amigos comentam...
Eu aprendi, trabalhando onde estou hoje, que dinheiro nenhum no mundo paga determinadas coisas, e que deve ser sim muito bom ser rico... mas tendo tempo pra gastar o dinheiro. Do quê me adiantaria hoje ser milionário sem ter como nem quando gastar o que eu teria?
E o que eu tenho... quando chega o final do mês eu tenho certeza absoluta que não sou pago para o que eu faço. Vejo minha conta negativa, minhas contas vencendo... e eu me pergunto pra quê eu trabalhei tanto assim. Não ostento nenhum bem material maior do que eu sei que posso ter, mas vejo até estes possíveis e mortais desejos cada vez mais distantes... talvez inalcançáveis.
Páro então e penso: "só tenho 24 anos". O quê as outras pessoas de 24 anos estão fazendo nesse momento? Estão em casa, estão num barzinho, estão namorando, estão fazendo nada... mas estão vivendo!
Nunca fui de negar trabalho. Quem me conhece sabe bem disso. Eu nunca parei; nunca descansei mais do que o necessário; fico anos sem tirar férias; nunca senti medo diante de um desafio profissional. Mas as coisas pelas quais eu passo atualmente, às vezes, chegam a ser desumanas. Eu sei sim, que poderia chegar muito longe na empresa em que estou. Sei bem do que sou capaz. E é uma das poucas coisas que estar perto dos seus limites tráz de positivo: você passa a se conhecer mais; conhece mais seus limites (ou quase isso). Mas... se ir "além" na empresa onde estou vai me custar minha vida toda, literalmente falando, então acredito que eu não esteja disposto a isso.
Faço um teste mental pra ver como anda meu ânimo em relação às empresas para as quais eu trabalhei. Imagino como seria minha carta de despedida para meus colegas caso eu tivesse que sair da empresa (façam esse teste, vale a pena). O resultado é que, atualmente, seria a carta mais angustiante que eu escreveria, tentando alertar às outras pessoas que não terminem na mesma situação que eu, porque pode ser perigoso.
Vejo também meus colegas de trabalho tendo problemas de saúde por causa do trabalho. Eles procuram psiquiatras, massagistas, médicos... e eu percebo que o pior que acontece comigo é demorar um pouco mais pra sarar de uma gripe. Mas eu sei que sou humano, e sei que guardo muito mais alguns sentimentos do que outros, e sei que isso uma hora vai escapar de alguma forma. E aí acontece o que aconteceu quando eu estava no Provedor, e o médico me receita uma semana de afastamento por labirintite causado por stress, com um dos piores dias da minha vida. Não quero nem imaginar o que minha situação atual pode me causar. E poucas coisas hoje em dia me "animam". Uma delas é a música, inseparável no trabalho. Ouço música eletrônica praticamente o dia todo. Me acalma, relaxa... e outra são as amizades. Tenho amizades realmente verdadeiras, pra todas as horas.
Quem olha meu Orkut, me vê por aí, tem a nítida impressão de que minha vida é uma festa: muitos amigos, muitas baladas, muita bebida, muita curtição. A verdade, só quem realmente me conhece é que sabe: posso contar os verdadeiros amigos nos dedos, e ultimamente minha única festa tem sido as comemorações pessoais pelas metas alcançadas em cada dia. Aliás, deve ser muito fácil matar um leão por dia. Quero ver é viver cercado deles, e dar sorte de matar um de vez em quando, que é o que acontece aqui.
Dessa vez usei o Blog como a idéia original prevê: um desabafo. Não tô me importando muito com quem vai ler. Precisava desabafar, escrever... sempre gostei disso; sempre me fez bem.