Enquanto o tempo passa eu perco o momento de fazer muitas coisas que eu queria ter feito. Sei que já não há como voltar atrás, mas conheço o caminho que passou, e tenho ciência de que não posso simplesmente parar e começar a olhar pra trás pra analisar cada outro caminho que eu poderia ter seguido, ou cada paisagem bonita que eu deixei de olhar.
A vida corre a mil, e perder uma oportunidade pode custar um arrependimento de uma vida toda. O pânico de imaginar que posso pensar no que poderia ter acontecido, durante muito e muito tempo, faz com que eu aja por medo, não por vontade; por reflexo, não por intuito.
Cada dia tudo muda um pouco... tanta informação, tantas coisas pra fazer, tanta responsabilidade, tantas respostas a dar... e tudo o que eu queria às vezes é um cantinho pra ficar comigo mesmo, pra poder parar pra respirar só cinco minutos... e nem isso existe mais hoje em dia.
Houve um tempo em que eu olhava pra trás desejando que tudo o que aconteceu voltasse a acontecer. Depois houve um tempo em que eu só olhava pro hoje, pro agora. Passei então a só olhar pra frente, pro que vem e pro que pode vir. Mas comecei a perceber que esse era o mais perigoso dos três modos de ver as coisas, porque isso contemplava a frustração, e eu não sei o que faria da minha vida se ela fosse de uma completa frustração.
Hoje eu passei a olhar ao meu redor: nem pra trás, nem pra frente e nem pro meio; pro meu redor. Procuro manter mais contato com as pessoas, procuro ouvir mais, procuro fazer mais, procuro interagir mais e procuro não deixar as pessoas com uma má impressão a meu respeito.
Mas a vida é mesmo uma caixinha de surpresas: sendo assim, deixo de fazer coisas pra mim, e volto então ao ponto de partida, pra começar tudo de novo.



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