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11/09/2004


Falando em Sunscreen...



Tudo começou com uma coluna que o Mary Schmich escreveu pro "The Chicago Tribune" em 1º de Junho de 1997. Isso aí virou SPAM e passaram a parada por e-mail pro mundo inteiro. O nome do cara até desapareceu e o Kurt Vonnegut (sei lá quem é esse) foi creditado pelo texto. A DM9 então fez um vídeo, que não é bem um comercial. É apenas um vídeo, com o texto do cara. Quem tiver contato pessoal comigo me pede que eu gravei o negócio em CD. Quem tiver saco de baixar 72 MB me fala que eu passo. Uma coisa eu digo: vale a pena.


Bem, o texto do Schmich tá aí, ó:



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Usem filtro solar.







Se eu pudesse dar um conselho em relação ao futuro, diria: “Usem filtro solar.”


Os benefícios, em longo prazo, do uso do filtro solar foram cientificamente provados.


Os demais conselhos que dou baseiam-se unicamente em minha própria experiência de vida.



Eis aqui um conselho:


Desfrute do poder e da beleza de sua juventude.







Oh, esqueça. Você só vai compreender o poder e a beleza de sua juventude quando já tiverem desaparecido.


Mas, acredite em mim. Dentro de vinte anos, você olhara suas fotos e compreenderá, de um jeito que não pode compreender agora, quantas oportunidades se abriram para você eram realmente fabulosas.



Você não é tão gordo quanto você imagina.







Não se preocupe com o futuro,


Ou se preocupe, se quiser,


Sabendo que a preocupação


É tão eficaz quanto tentar resolver uma equação de álgebra mascando chiclete.



É quase certo, que os problemas que realmente têm importância em sua vida,


São aqueles que nunca passaram por sua mente,


Tipo aqueles que tomam conta de você as 4 da tarde em alguma terça-feira ociosa.



Todos os dias, faça alguma coisa que seja realmente assustadora.







Cante




Não trate os sentimentos alheios de forma irresponsável,


Não tolere aqueles que agem de forma irresponsável em relação a você,




Relaxe




Não perca tempo com a inveja,


Algumas vezes você ganha,


Algumas vezes você perde,


A corrida é longa e no final, tem que contar só com você.



Lembre dos elogios que recebe,


Esqueça os insultos,


(Se conseguir fazer isso, me diga como?)



Guarde suas cartas de amor,


Jogue fora seus velhos extratos bancários.







Estique-se



Não tenha sentimento de culpa se não sabe muito bem o que fazer da vida.


As pessoas mais interessantes que eu conheço não tinham, aos 22 anos,


Nenhuma idéia do que fazer com a vida,


Algumas das pessoas interessantes de 40 anos que conheço ainda não sabem.



Tome bastante cálcio.


Seja gentil com seus joelhos.







Você sentirá falta deles quando não funcionarem mais.



Talvez você se case,


Talvez não,


Talvez tenha filhos,


Talvez não,


Talvez se divorcie aos 40


Talvez dance uma valsinha quando fizer 75 anos de casamento.





O que quer que faça,







Não se orgulhe nem se critique demais.


Todas as suas escolhas têm 50% de chance de darem certo,


Como as escolhas de todos os demais.



Curta seu corpo da maneira que puder,


Não tenha medo dele ou do que as outras pessoas pensam dele.


Ele é seu maior instrumento.



Dance



Mesmo que o único lugar que você tenha para dançar seja sua sala de estar.




Leia todas as indicações,


mesmo que não as siga.



Não leia revistas de beleza.


A única coisa que elas fazem é mostrar você como uma pessoa feia.


















Escrito por Edu às 04h26
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Saiba entender seus pais.


Você nunca sabe a falta que vai sentir deles.


Seja amável com seus irmãos,


Eles são seu melhor vinculo com o passado e aqueles que, no futuro,







Provavelmente nunca te deixarão na mão.



Entenda que amigos vão e vem,


Mas que há um punhado deles,


Preciosos, que você tem que guardar com carinho.



Trabalhe duro para transpor os obstáculos geográficos e da vida,


Porque quanto mais você envelhece


Tanto mais precisa das pessoas que conheceram você na juventude.





More em New York,







Mas mude-se antes que a cidade transforme você em uma pessoa dura.



More no norte da Califórnia,


Mas mude se antes de tornar-se uma pessoa mole demais.



Viaje



Aceite certas verdades eternas:


Os preços sempre vão subir,







Os políticos são mulherengos,


Você também vai envelhecer.


E quando envelhecer,


Vai fantasiar que quando você era jovem,


Os preços eram acessíveis,


Os políticos eram nobres de alma


E as crianças respeitavam os mais velhos



Respeite as pessoas mais velhas.







Não espere apoio de ninguém.



Talvez você tenha uma aposentadoria,


Talvez tenha um cônjugue rico,


Mas você nunca sabe quando um ou outro pode desaparecer.







Não mexa muito com seu cabelo.


Senão, quando tiver com 40, vai ficar com aparência de 85.



Tenha cuidado com as pessoas que te dão conselhos,


Mas seja paciente com elas.







Conselho é uma forma de nostalgia.


Dar conselho é uma forma de resgatar o passado da lata de lixo,







Limpá-lo, esconder as partes feias


E reciclá-lo por um preço maior do que realmente vale.



Mas acredite em mim, quando falo sobre filtro solar.





































Mary Schmich

Escrito por Edu às 04h25
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10/09/2004


Então tá. Fiquei devendo, agora tenho que contar. Acho que nada do que eu falar aqui vai ser novidade pra muita gente, mas é bom escrever, principalmente pra ver se passa esse desânimo todo.

Semana passada, na Quinta feira, liguei para Poços de Caldas, no trabalho de minha mãe, pra avisá-la que estava indo rumo à cidade, e que ficaria provavelmente todo o feriado. Já havia descartado o jogo do Brasil, que eu estava a fim de ir, e tudo o mais, só pra poder passar quatro dias junto de minha mãe e meu irmão.

Quando o telefone foi atendido e perguntei por ela, a mulher que atendeu hesitou e me avisou que minha mãe estava na casa de minha avó. Meio sem entender (14:30 e ela ainda em casa?), liguei para a casa de minha avó, onde minha prima me informou que minha mãe estava na casa dela, no andar de cima. Já percebendo que havia alguma coisa de errado e meio sem processar a informação direito, agradeci e desliguei o telefone.

Colocando as coisas no lugar, percebi que tinha alguma coisa de muito errada, e liguei de novo, dessa vez pedindo para minha prima o telefone da casa de minha mãe, ao que ela respondeu que não tinha. Então desisti: perguntei o quê estava acontecendo. E ela, meio que como se já esperasse minha pergunta, respondeu: "Ela está indo embora com ele. Ele veio buscá-la".

"Ele", ao qual minha prima se referiu, é meu ex-atual-ex-atual-ex-atual-padrasto. Uma pessoa de quarenta e poucos anos sem nenhum futuro, que bebe e fuma indiscriminadamente, e que é capaz de fazer coisas das quais se arrepende quando volta a ficar sóbrio. Uma pessoa com uma inteligência enorme, mas com um espírito muito pequeno. A única pessoa que eu realmente odeio nesse mundo.

O pior de tudo, é que já há alguns anos é a mesma coisa: minha mãe volta pra Campinas com ele, eles brigam e ela volta pra Poços de Caldas de novo. E, cada vez que volta, volta mais desacreditada do que foi, volta com menos coisas do que levou, volta mais desanimada da vida do que já estava. E sempre que ela vai é assim: não há um aviso prévio, não há uma conversa e nem mesmo um recado.

E é por isso que eu sei que tenho que definitivamente caminhar sozinho familiarmente falando, cada vez mais: as pessoas em quem eu realmente confiava no passado me decepcionam; decepcionam-se conscientemente. E cada vez que isso acontece, eu perco um pouquinho mais a visão de heroína que eu tinha de minha mãe... E perco cada vez mais meu vínculo com ela, e com meu passado.

Escrito por Edu às 01h44
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Sexta Feira passada, no dia seguinte após saber de minha mãe, peguei o Notebook da Consultoria que estava comigo em casa pra levar de volta pra lá. Receoso de que alguma coisa pudesse acontecer, fui de carro, fui mais cedo e ainda parei o carro num estacionamento na rua de trás da Empresa de TV a Cabo. Como não tinha tido tempo de providenciar uma mala melhor quando o levei, na semana retrasada, levei com a mala própria dele.

Quando estava cruzando o quarteirão que me levaria à Empresa, um motoboy encostou do meu lado e disse: "Na moral, na moral. Deixa a maleta na guia e sai andando".

Sou uma pessoa que foi poucas vezes assaltada, mas cada vez que eu era assaltado ou ouvia comentários de pessoas próximas que sofriam de assalto, imaginava como sair de cada situação, ou, se preferirem, uma forma de reagir. Dessa vez não foi diferente: como não vi nenhuma arma na mão do sujeito, simplesmente dei de costas e saí andando. Meio que não acreditando, o motoboy então acelerou a moto, de onde não saiu durante todo esse tempo, colocou na minha frente, puxou um 38 da cintura, apontou no meio da minha cara, há mais ou menos um metro e meio de mim, e agora, com um tom um pouco mais impaciente, ordenou: "Cara, eu não tô brincando. Deixa a maleta na guia e sai andando!".

É impressionante como é ver um 38 apontado em sua direção, diretamente para o meio dos olhos: o cano parece ser muito mais largo do que realmente é, a intenção de atirar parece muito mais real... E as balas... Reluziam como se estivessem prontas pra desempenhar a tarefa para a qual foram feitas: ferir.

Ainda pensando em uma forma de reagir, vi que não tinha mais possibilidades. Ele poderia fazer uma besteira a qualquer momento, e eu não estava realmente disposto a arriscar minha vida por aquilo. Com pena de ter que vender meu carro pra repor o dinheiro, mas... Acho que não valia a pena. Obedeci então, deixando a maleta com o Notebook no chão, caminhando em direção à Empresa e ouvindo o barulho da moto sumir atrás de mim.

Como primeira ação, liguei para meu chefe. Avisei do roubo e fui tranqüilizado quanto ao que eu mais temia naquele momento: o Notebook tinha seguro.

Entrei na Empresa, sentei em minha mesa e fiquei estático, olhando pro monitor desligado, tentando assimilar, ou pelo menos dar a atenção devida ao que acabava de acontecer. Acreditem: depois daquilo ainda passei um dia mais ou menos comum. A única coisa que me deixou realmente puto foi ter ficado incapaz diante de um filho da puta armado que, espero eu, com toda sinceridade e força que me é permitida, tenha sido atropelado pelo primeiro ônibus que cruzou a frente dele, e que tenha morrido lentamente, com bastante dor, enquanto olhasse o Notebook que tinha acabado de furtar. Defendo completamente a posição de que todos têm que ter aqui o que merecem, e se desejar o mal para ele é o máximo que eu posso fazer, então faço bem feito.

Depois disso, fui aconselhado a comparecer a uma delegacia para fazer um Boletim de Ocorrência. Fui até a Berrini, fui muito bem atendido, fiz o Boletim, voltei e entreguei para meu chefe. Em poucas horas, todo o prédio em Chácara Santo Antônio e também na sede da Consultoria, em São Bernardo, estavam sabendo do ocorrido. Fui tranqüilizado a não me preocupar com a perda do material, pois não me traria despesa alguma, e que também o mesmo estaria sendo reposto o mais rápido possível. Me ofereceram uma vaga de estacionamento dentro da Empresa, para minimizar os riscos, e ainda se surpreenderam quando eu disse que não ia trabalhar todo o dia de carro porque não era possível manter tal custo. Coisas de empresa multinacional.

Escrito por Edu às 01h44
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Enquanto digitava, estava aqui pensando no meu TGI: se eu o digitar com a mesma velocidade e com a mesma riqueza de caracteres (encher lingüiça) que eu digito aqui, acho que dá pra terminar rapidinho!

Escrito por Edu às 01h44
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Essa semana tem sido bem complicada. Já são três coisas ruins que aconteceram na mesma semana, e não vi uma saída positiva em nenhuma delas por enquanto. Junto isso ao fato de eu estar muito pensativo esses últimos dias e tem-se meu atual estado de espírito, uma espécie de "loading".

Mas sempre que fico assim, saio melhor: penso em tudo o que estou fazendo e se é isso o que realmente quero pra mim, mudo alguns valores que sempre se alternam, faço planos e fico muito mais sereno. Mas que alguns valores já mudaram, isso com certeza.

Escrito por Edu às 01h44
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08/09/2004


Há muitas coisas sobre as quais eu gostaria de falar aqui ainda. Gostaria de falar sobre a volta de minha mãe pra Campinas, sobre o assalto que sofri semana passada com uma arma apontada bem no meio da minha cara...

Mas acho que o assunto que é mais importante agora é: confiança e amizade. Acho que a pessoa que ler esse post vai saber que é ela. Não preciso dizer muito.

Fiz uma troca perigosa há algumas semanas: joguei pra cima uma amizade em troca de sinceridade que sempre existiu. Em troca, recebi no começo a raiva e a indiferença, depois um perdão seco e agora um grito silencioso. Tudo porque eu quis retribuir na mesma moeda (sinceridade) o que foi me dado dias antes.

E querem saber? Eu não voltaria atrás. E teria aberto o jogo antes se fosse possível... mas não foi.

Acho que nem você, que hoje me acusa por traição, sabe o quanto eu considero e valorizo uma amizade. Se amigos pra você são só aqueles com quem você há muito tempo teve uma relação próxima... deveria se colocar às vezes no meu lugar. Nunca tive a oportunidade de manter uma amizade por muito tempo. E vou, sim, lutar por todas as que eu puder hoje em dia. Eu sei como é o dia de amanhã e sei o que acontece. E por isso mesmo eu digo: não vou desistir fácil, mas preciso de ajuda. E um bom começo seria não falando pelas minhas costas coisas que eu deveria e gostaria de saber.

Não é difícil ver que o que eu falo é verdade. E também não acho que confiança se perde assim de uma hora pra outra. A única pessoa que eu conheci até hoje que tinha essa opinião, terminou um namoro de quase três anos comigo pra estar com um cara que não a faz feliz (e não são palavras minhas), enquanto poderia ter SE dado outra chance.

Todos nós cometemos erros, e mais cedo ou mais tarde eu cometeria o(s) meu(s). Não sou perfeito e nem espero ser. Só espero poder ser perdoado como um ser humano comum... e não ser taxado como uma máquina.

E confiança... ah... confiança é uma coisa que vale muito pra mim. Só queria que visse os dois lados da moeda antes de pisar em cima dela. O melhor lado pode estar virado pra baixo.

Escrito por Edu às 02h24
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