- Assuma: você está apaixonada.
- Que nada! Tá louca? Eu só gosto de sair com ele, nada mais.
- Nada mais? E aquele seu apelido no Messenger? "Não vejo a hora de revê-lo e sentir o seu perfume perto de mim. Se possível, na minha própria pele"?
- Ah, ele tava conectado. Eu queria chamar a atenção dele...
- Chamar a atenção dele pra quê?
- Pra mim, oras!
- Confesse: você está apaixonada.
- Não estou! Quantas vezes vou ter que dizer?!
- Acho que infinitas, até eu acreditar mesmo.
- Ah... ele é diferente, sabe? Ele sabe como me tratar, sabe do que eu gosto de verdade, me respeita...
- Você disse isso semana passada daquele garçom daquela churrascaria. Aquele que você saiu depois, lembra?
- Mas aí era diferente!
- Diferente como? Você não estava apaixonada por ele?
- Claro que não. Foi só um caso...
- Um caso? Você falou em casamento com ele dois dias depois de vocês estarem saindo! Foi por isso, inclusive, que ele sumiu...
- Ele não sumiu! Ele estava com a mãe doente no Sul e precisou ir vê-la!
- E você acreditou?!
- ...
- Olha... não vejo nada de mais em você estar apaixonada. É normal. Você só não pode atropelar as coisas...
- Será que eu vou ter mesmo que ficar repetindo que eu não estou apaixonada???
- Ok! Ok! Não está mais aqui quem falou! Bom, está aí. Chegamos. Tem certeza de que quer fazer isso?
- Eu preciso!
- Mas... ligar um carro de som na porta da empresa onde ele trabalha? Não é exagero não?
- Não... só quero fazer uma pequena surpresinha. Nada de mais. E antes que você repita: EU NÃO ESTOU APAIXONADA!


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