Ontem, entre uma aula e outra, e depois no MacFil, recebi várias ligações da empresa de TV a Cabo. Tinha um evento que insistia em não disponibilizar para os assinantes que o contrataram. Algum problema que não era meu, nem de meu chefe (que me ligava) e nem do outro cara que tentava ajudar, revezando no telefone com ele. Quando já eram umas 23 horas, chegamos à conclusão de que não adiantava ficar correndo atrás, mesmo porque não era um problema de nossa responsabilidade, mas da empresa de TV a Cabo em si.
Cheguei em casa, comi um lanche que havia comprado há pouco no McDonald's assistindo alguma coisa na TV, coloquei meu celular pra carregar e me deitei, extremamente cansado, sem lembrar qual foi o último fim de semana que tive pra mim; sem lembrar quando foi a última vez que tirei mais do que "um dia de folga" pra mim. Por mais que eu tenha tido uma folga na Quinta, não parei, não descansei, foi um dia pesado e ainda fiquei quase a tarde toda resolvendo problemas com o pessoal da empresa por telefone e pelo Messenger.
Hoje de manhã. às 9 e meia da manhã o telefone tocou. Era um celular que eu sabia que era da empresa de TV a Cabo. Eu ainda estava extremamente cansado. Cheguei à conclusão de que aquilo não era responsabilidade minha, que eu não precisava atender... e não atendi. Simplesmente desliguei o celular e dormi por mais 3 horas ininterruptas.
Sim... eu gosto do que eu faço. Gosto da correria, gosto do stress, gosto das cobranças e de poder mostrar que conheço o que eu faço. Gosto de saber que as pessoas levam em consideração minhas opiniões e que gostam do meu trabalho. Acho que todo mundo gosta de se sentir um pouco importante, seja com o quê ou com quem for. Mas isso em nenhum momento sobe à minha cabeça. Sei que sou um número, que se um dia precisar ser subtituído, será. Ninguém é insubstituível. E sei também que todo mundo tem um limite, e eu sei qual é o meu. Sei quando tenho que parar. E tudo que eu espero é ter uma vida normal, pelo menos de vez em quando.


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