Trabalhei Sexta o dia todo e parte da madrugada, e Sábado e Domingo sem parar.
Olho assinaturas de TV a cabo e não vejo nomes mais. Muitas vezes, nem localidades. Vejo pontos, produtos, comandos enviados e retornos. Sei exatamente onde tenho que olhar e o que preciso resolver. "Eles precisam receber o sinal!", eles dizem. "O sistema não mudou, por quê então parou de provisionar?!", diz a outra. "Preciso daqueles números pra hoje no fim do dia!", cobra um terceiro. "Du, estou com uma dúvida. Pode me ajudar?", pede uma outra. E assim passo meu dia.
Sexta houve uma conversa. Uma promoção vem em Janeiro, com um aumento de 20 por cento depois do dissídio. Cálculos. Não é tão vantajoso assim pelo tanto que faço. A pessoa que me ofereceu o valor concorda. Sabe tanto quanto eu disso. Mas penso que Janeiro tá perto, e que minha carta na manga finalmente vai poder ser usada.
No fundo... já não penso mais em dinheiro somente. Começo a pensar no que eu quero fazer. Ou melhor: no que eu não quero fazer.
Folga amanhã. Mais trabalhos de faculdade. Pareço mais um zumbi no computador. Meus olhos estão pregados, mas... não consigo desacelerar. A mente está a mil. Antigamente era mais fácil.
Indo trabalhar hoje, cheguei à conclusão de que passamos, resumidamente, por três fases na vida profissional. A primeira é a fase onde gostaríamos de mandar, achamos que sabemos tudo o que precisamos saber, mas ignoramos o fato de que não saberíamos o que fazer quando "chegássemos lá". A segunda fase é quando mandamos um pouco, mas sabemos que não sabemos tudo e que, se uma pessoa "chegou lá", é porque no mínimo sabe que ações tomar. E a terceira é a fase onde "chegamos lá", e percebemos que nunca vamos poder tomar as ações certas pra tudo, que sabemos que não sabemos tudo e nunca vamos saber, e que éramos felizes quando não precisávamos decidir... e não sabíamos.