A vida às vezes nos prega peças que nem nós mesmos poderíamos imaginar em nossos pensamentos mais vagos, mais confusos, mais otimistas ou mais pessimistas. Você está lá, levando sua vida, como ela mesmo mandou, e de repente "boom", você é surpreendido.
Muitas vezes nem percebemos isso de início. A coisa tá lá, na nossa frente, e não "vemos". E é isso que faz o "boom" ser um mistério maior ainda: quando ele ocorre, por quê ocorre e suas reais conseqüências são mistérios indecifráveis. Estava ali o tempo todo, e só foi percebido depois que "alguma coisa" aconteceu. É simplesmente amedrontador.
E como tudo que é bom na vida, não é simples. Não é só "pegar pra você" e começar a fazer parte. Não é simplesmente "tomar posse". Há uma conquista, um... acomodamento; uma espécie de preliminar sem saber como é de verdade. E é nessa hora que ficamos mais perdidos, mais pensativos e mais boquiabertos com muitas de nossas próprias atitudes. Passamos a ter aquilo como nosso no dia-a-dia, e sentimos falta quando não temos.
Acontece que nem tudo ocorre da forma que deveria, e não somos os mesmos eternamente. O ser humano tem um fascínio estranho por conquistas; e, em mesmas proporções, um desinteresse enorme pelo que foi acabado de conquistar. É a história do "querermos sempre mais". E é dessa parte que tenho mais medo. Mesmo sem ter conquistado, já tenho medo de perder. E de perder não por não confiar que seja meu, mas por confiar demais.
Seria tão mais simples se essas coisas não acabassem...
E sem nem mesmo ter prosseguido, eu já sei que não quero voltar atrás.