
Seria só mais um desejo realizado. Seria só mais uma meta alcançada, uma vontade tirada, um peso a menos. Da minha promessa de não me arrepender mais das coisas que não fiz, lembro-me somente da promessa: faz tempo que "não faço" coisas.
E de repente eu percebi que não posso somente e simplesmente pensar em mim. Não é só pelo ter, mas pelo poder ou não. Não é pelo deixar de fazer, mas por limites. Esses que eu há tanto reneguei na minha vida.
E não fiz. Poderia ter feito, mas não fiz. E ao ir embora eu me perguntava no quê eu havia me transformado. Sentia uma espécie de pena de mim mesmo por pensar daquela forma naquele momento. Onde estavam as coisas que eu sentia? Onde eu espero encontrar sentimento se não me permito tê-los? O que eu posso esperar daqui pra frente se as coisas todas simplesmente contiuarem assim?
E eu sabia que tinha tomado a atitude certa perante tudo de lógico que eu conheço. Mas... e perante a mim próprio? O que sobra se tudo o que eu seguia simplesmente cai por terra? Onde vou me apegar se eu só quis sentir novamente? De que forma eu posso controlar isso?
Vem-me então à cabeça aquela que uma vez disse que eu sempre queria controlar tudo, e que nem tudo eu posso controlar. Não dá pra prever uma série de coisas, nem pra controlá-las e muitas vezes nem pra contorná-las. Só temos que aceitar... e passar.
E isso ficou martelando em minha cabeça desde então. Podemos disfarçar o que sentimos. Mas nunca, nunca... nunca mesmo controlar isso. Eu escolhi ser o que eu sou, e renunciei a todas as outras coisas que eu poderia ser.


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