O mundo para onde migramos
De época em época a humanidade, ou parte dela, migra suas atenções para uma determinada área ou um determinado assunto; ou ainda critica mais determinadas ações. Fazemos com que aquilo esteja em evidência, não esquecendo das demais coisas de nossas vidas, mas dando uma atenção maior a determinado campo de visão.
Tal comportamento se tornou quase que obrigatório nos dias de hoje, onde sofremos de excesso de informação sobre seja qual for o assunto. Temos números, estatísticas, histórias, fatos, mentiras, ocorrências e tudo o mais que precisamos para dar o maior tom de veracidade possível àquilo que falamos.
Vi hoje na TV uma menina, por exemplo, que praticava uma determinada categoria esportiva, e passou a praticar outra. Falava sobre números de pessoas que tinham feito isso pelo mundo e quais os resultados dessas mudanças. Há menos de dez anos ela falaria, no máximo, sobre as coisas que ela ouviria falar no grupo de praticantes do mesmo esporte que ela.
Quando comecei na área em que estou, há onze anos (não profissionalmente, claro, mas por diversão), esta área tinha todo o foco do mercado e do mundo. Todos queriam saber, entender e trabalhar com informática. Profissionais ganhavam muito bem e gastavam bem mais raciocínio do que hoje em dia. Atualmente, todo mundo já está na informática, por bem ou por mal, e esse deixou de ser um foco da humanidade.
Algum tempo mais atrás ainda, surgiram notícias que falavam sobre extra-terrestres visitando-nos. Falou-se sobre isso durante algum tempo, até que o assunto secou. Mais algum tempo antes o foco era falar sobre o Oriente Médio; e esse já não é mais o foco. Mais antigamente focou-se na moda, e isso passou. Cada época teve seu foco; às vezes mais de um.
E então acontece de termos momento como os de hoje em dia por exemplo, onde o foco é absolutamente nada. Nada de novo acontece, não é ano de Copa, nem de Olimpíada, nem de nada. E ao invés de as pessoas focarem suas atenções, essa que centralizaram em um determinado assunto, de volta aos fatos rotineiros, não: simplesmente ignora-se qualquer ampliação de foco nos assuntos rotineiros.
Enquanto focamos ou deixamos de focar determinados assuntos, outras coisas acontecem no mundo, como sempre foi. Não é porque deixamos de dar atenção à fome na África que ela deixa de existir, por exemplo. O que mais me assusta é que algumas coisas sempre aconteceram, estão acontecendo com mais frequência e intensidade ainda e o ser humano no geral finge, ou realmente não vê o caos para o qual estamos migrando.
Sei que já falei desse assunto antes e embora possa parecer repetitivo, me assusta muito a forma para a qual os relacionamentos pessoais estão migrando atualmente. Já não é mais comum conhecer alguém na adolescência, casar na idade adulta e passar toda a vida juntos. Já não é mais comum casar virgem. Já não é mais comum pedir a mão da moça em casamento aos pais dela. Nem é mais comum casar! Não estou aqui dizendo que defendo qualquer uma dessas atitudes, ou que as reprovo. Minha intenção aqui é simplesmente exemplificar o quanto as coisas mudaram em tão pouco tempo.
Li hoje em uma página qualquer de internet alguém que escreveu algo como: "Se você acha que é você o problema no que diz respeito a encontrar alguém, engana-se redondamente!". E é verdade! O problema já não é mais de quem procura, mas de quem é procurado. O mundo está ficando repleto de solteiros caçadores de solteiros um pouco menos exigentes. E como nos achamos pouco!
Não, eu não sou um solteiro desesperado ou inferiorizado pelas massas populares dos dias de hoje. Eu não tenho complexo de inferioridade e nem quero reverter uma incapacidade minha em forma de desculpas nesse texto. Estou trabalhando aqui com fatos. É só olhar em volta que vocês vão perceber.
Me assusta às vezes pensar onde nosso mundo estará daqui a dez anos, ou vinte. Me preocupa pensar que os relacionamentos ficaram tão banais; desprezíveis. Pudesse eu dar uma pequena espiada no que vem por aí, pra então poder, com razão e de fato, poder alertar a todos nós, seres humanos, do enorme precipício que estamos criando em volta de nós e, com o tempo, embaixo de nossos pés.
Sim à evolução. Não à revolução... no sentido literal da palavra.