Todo tempo tudo muda. E nascemos numa época em que tudo muda rápido demais. Eu, pelo menos, tive a felicidade (e infelicidade) de fazer parte da geração que acompanhou justamente a transição das coisas do modo difícil pelo modo fácil: nasci no ano em que o primeiro computador pessoal foi lançado. Daí pra frente é o que todo mundo já sabe: eles se espalharam.
Mas não foram só os PCs que se espalharam. Também esse acesso à informação, essa aventura do novo o tempo todo... e tudo mudou muito mais do que nós pensamos nesse um quarto de século. E de repente eu me vejo questionando se as coisas não estarão mudando rápido demais até. Porque agora tudo é tão rápido, tão inconstante, tão seco, que não parece mais que as coisas realmente têm que fazer sentido em nossas vidas para fazer parte dela.
E cada dia que passa eu vejo as coisas mudando mais e mais depressa. E eu me pergunto, sim, onde é que nós vamos parar desse jeito. E aí percebo que só pra mim o tempo não parece passar rápido assim, porque eu acabo me mantendo o mesmo na essência, apesar de parecer mudar também tão rápido. E os tombos que a gente leva da vida só nos ensinam que temos que realmente mantermos sempre quem somos em primeiro lugar, preocupar-nos conosco, porque ninguém vai fazer isso pela gente.
Eu espero que um dia eu possa olhar pra trás e realmente me orgulhar de tudo o que eu fiz até aqui. Tenho vendido meus dias e minhas noites por uma coisa que eu sei que não vale a pena. E se vendo meus dias e minhas noites, vendo minha vida.


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